EDITORIAL: O Fenômeno de Belmonte: Muito Barulho para 27 Votos a Mais?

A comemoração em Belmonte tem contornos dignos de tragicomédia shakespeariana  ou de uma esquete de comédia pastelão política. A turma do “eterno” clã Janista resolveu soltar fogos de artifício e estourar espumante porque Jânio Natal Jr. cravou seu nome na disputa. Mas, como dizem por aí, os números não mentem, mesmo que o palanque tente reescrever a matemática básica.

A Grande “Epopéia” dos 2,4 Mil Votos

Vamos aos fatos frios e ácidos que o espumante quente da vitória tenta esconder. Em 2018, quando o irmão reinava absoluto na prefeitura, o grupo já nos brindava com um desempenho modesto: foram 2.373 votos para deputado estadual  marca que, na época, ficou atrás da adversária Larissa Oliveira, que abocanhou 3.008 votos.

Pois bem. Avancemos no tempo. Agora, munidos da máquina administrativa inteira e daquela constelação de “peso-pesados” da política local  uma verdadeira seleção de craques da boca de urna que inclui Paulinho de Papau, Mathias Barreto, Daco do Hospital, Flaviele, Rodrigo Martins, Bulachão, Tiufin, Alfredo, Davio, Date e cia. , o que o herdeiro conseguiu colher nas urnas belmontenses?

Um impressionante, colossal e avassalador salto para 2.400 votos! Sim, senhoras e senhores: toda essa tropa de choque de lideranças unidas somou exatos 27 votos a mais do que o irmão conseguira anos atrás. É de rir para não chorar. Onde será que ficou o tal “cacife” eleitoral dessa súcia de cabos eleitorais de carteirinha?

O Troféu da Ironia: A Fatura de Iêdo Elias

Enquanto a base janista festeja o crescimento milimétrico de 27 votos à base de muito suor, promessas e cabide de emprego, a base da gestão comandada por Iêdo Elias assistiu de camarote à verdadeira lavada das candidaturas apoiadas pelo seu grupo, que empilharam 4.152 votos no município.

Enquanto uns celebram migalhas com pompa de conquista histórica, a realidade nua e crua mostra que o castelo de cartas do natalismo local está balançando. Afinal, transformar uma legião de “lideranças” em um acréscimo de 27 votos não é articulação política; é, no máximo, estatística de erro amostral.

Para um político experiente como Jânio, acostumado a medir força pela urna e não pelo tamanho do palanque, os 27 votos acima de 2018 provavelmente são mais um motivo de calafrio e dor de cabeça do que qualquer base para euforia. Afinal, se com toda a máquina de Porto Seguro  na rua, o cofre aberto e muito mais investimento deram de bônus a bagatela de 27 votos, fica claro o que aconteceu: os “caras” simplesmente não correram atrás, não se importaram e deixaram claro que parecem nem se sentir parte do mesmo grupo. Quando a tropa faz corpo mole e o dinheiro evapora sem retorno nas urnas, o que se comemora não é o avanço, mas o tamanho do prejuízo. Eleição se comemora com confete; força política de verdade, contudo, se mede na próxima conta  e essa fatura promete vir salgada.

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